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História
Não se sabe exatamente
como e quando o movimento disco começou. Alguns dizem que ele surgiu no início
dos anos 70, nas discotecas de Chicago, Nova York e Filadélfia, onde haviam
festas totalmente dançantes, freqüentadas por um público alternativo. Outros
afirmam que a disco music só começou mesmo depois da abertura da Studio 54 -
em Nova York - e do lançamento do filme "Embalos de Sábado à Noite"
em 1977, que foi a época em que a mania se espalhou pelas rádios, gravadoras,
discotecas e estava gerando bilhões por ano. No entanto, a Disco não foi um gênero
musical pré fabricado, criado em um curto período de tempo em que se possa
estabelecer um ponto original determinado. Isso porque quando se fala da Disco
Music, define-se um estilo musical que surgiu a partir da transformação de
elementos de diversos gêneros musicais como do Soul, Jazz e Funk. Assim, para
contar a história da música Disco é preciso viajar um pouco em cada um desses
estilos até que se tenha formada a chamada Disco Music.
O
que é Disco afinal?
Antes de entrarmos na história
da Disco Music seria interessante definirmos e dizer sobre o que é que estamos
falando, o que é essa tal de Disco tão mencionada até agora. Quando falamos
Disco, inúmeros significados surgem nas nossas cabeças como por exemplo música,
dança, moda, ritmo, movimento, alegria, emoção. No âmbito musical, Disco é
um imenso complexo de arranjos orquestrados formado por cornetas e cordas,
bonitas melodias e batidas que são o autêntico som e sentimento das pulsações
do coração humano capazes de produzir efeitos psicológicos e fisiológicos na
mente e no corpo de qualquer pessoa.
Para se chegar a esse som chamado
Disco passou-se por um longo processo de criação que começou no início dos
anos 60, quando a música negra (blackmusic) passava por grandes modificações.
A música disco ao contrário de muitos outros estilos musicais da história não
nasceu de uma acidental produção de novos músicos ou cantores performistas de
rua, mas foi uma forma artística que nasceu de um profundo entendimento da
psicologia musical e do poder dos arranjos musicais elaborados por produtores,
arranjadores e maestros de orquestras sinfônica que tomando como base a música
negra que estava ganhando reconhecimento nos Estados Unidos conseguiram definir
o início da Era Disco em 1974 em termos de música popular. As batidas ritmadas
como a do coração, a percussão abundante, as vozes e arranjos vocais
requintados, arranjos rítmicos de alto trumpete e de corda são propriedades da
música Disco que revelam o quanto a música era calculada em detalhes desde da
composição, arranjo, produção e mixagem até nos efeitos artísticos, filosóficos
e psicológicos de cada obra.
Influências:
A maioria dos sons que compõem a
música dance surgiram da fusão do Soul dos anos 60 com o Jazz Latino. Música
composta por negros que inicialmente não obtinham sucesso devido ao preconceito
da sociedade e por isso se mantinham apenas nos guetos escondidos. No entanto,
no início dos anos 60, os negros ganharam mais espaço e tiveram mais liberdade
para criar e experimentar novos sons que mais tarde seriam usados pela disco
music. Durante a metade dos anos 60 e início dos anos 70, época em que as
maiores gravadoras de música negra como a Motown Group, Atlantic and Atco e
Stax dominavam o cenário da música soul dance, produtores, arranjadores e
maestros começaram a criar sons, que se diferenciavam pelo aumento do tempo do
compasso e do uso de cordas, adicionando energia e excitação a qualquer música
criada ali.
Outras gravadoras seguiram
o exemplo e também começaram a experimentar novos arranjos com instrumentos de
sopro, flautas, trumpetes, cornetas ,levando a música "dance" para
uma maior audiência. Assim chegou o Funk, que caracterizava-se por uma batida
que tinha um tempo próprio, elementos percussivos mais sofisticados e o sax,
elementos que mais tarde seriam incorporados pela música Disco.
Até aqui só temos a influência
da música negra - o soul e o funk, que eram de difícil aceitação pela audiência
branca. Nesse sentido, para expansão da música foi necessário um novo som que
permitisse aos brancos descobrir o soul. Assim, surgiu o jazz que utilizando uma
percussão mais latina envolveu o soul com um sentimento mais pop e propagou a música
negra no mundo. Passamos agora para os anos 70, os elementos da disco estão se
juntando. Após o desenvolvimento do Soul, surgimento do Funk e o toque do Jazz,
a disco music começou a se formar.
Como podemos ver é um erro de
concepção comum que se faz quando dizem que a Disco Music surgiu nas boates
gays da America no início dos anos 70. A música Disco, apesar de ter tido
grande influência do sons desenvolvidos nas boates GLS, foi muito maior e mais
complexa do que isso, mesmo porque pelo que pudemos observar, a música Disco já
era popular e circulava por vários lugares muito antes. Também se falava que
os filmes "Saturday Night Fever" e "Thank God It’s Friday"
foram importantes pontos de virada para a chegada do movimento Disco. Para
aqueles que acreditam que a Disco foi apenas a pop dance music dos Bee Gees,
isso seria verdade, porém a história tratada aqui se refere ao que chamamos no
geral de Disco Music.
Chegada
da Disco:
A Disco music começava a se
expandir; a primeira gravadora responsável pelo movimento foi a Salsoul
Records, na Filadélfia, que misturava a música latina, salsa, soul e arranjos
orquestrais. Foi a Salsoul que produziu talvez o primeiro hit considerado Disco
no mundo, chamava-se "The Hustle" - que chegou até as
boates e fez o maior sucesso. Outras gravadoras foram de grande importância
para que a música Disco ganhasse o mundo, como Gold Mind e principalmente West
End Records que pertencia a Mel Cheren, denominado o padrinho da Disco por suas
idéias inovadoras que possibilitaram a criação de sons de qualidade gravados
e promovidos em diversos clubes noturnos da época.
A partir de então, surgiram
diversos hits que não saiam das rádios e embalavam a todos nas diversas boates
do mundo, movimentando um grande número de jovens que queriam sair para dançar
e agitar a noite inteira. A disco ganhava espaço no cinema, assim como também
na televisão. Surgiam diversos talentos Kc & The Sunshine, Village People,
Sister Sledge, Chic, Earth, Wind and Fire, Gloria Gaynor, Donna Summer e
diversos outros que emplacaram grandes sucessos que são tocados até hoje.
Famosas discotecas como a Studio 54 e Paradise Garage, em Nova York, despontavam
empolgando multidões em uma pista iluminada por globos e luzes coloridas que ao
som da Disco Music não paravam de dançar.
A Disco chegou a gerar US$8
bilhões por ano para indústria musical. Em 1978 as estações de rádio Disco
alcançaram os maiores índices de audiência do mercado americano. No entanto,
no final de 1979, a música Disco sofreu uma grande queda. O movimento que havia
crescido de forma tão rápida e tão grandiosa perdia seu espaço nas boates
que começavam a fechar, na mídia e no mercado. Apesar disso, a música disco
foi capaz de modificar-se ao longo desses anos, incorporar novas tecnologias e
continuar sendo tocada seja através dos novos estilos musicais que surgiam sob
sua influência como o Techno, House, Rap, Acid ou a partir de regravações de
músicas da época em um novo estilo que continuam fazendo muito sucesso.
Comportamento
Os anos da Disco foram chamados
de Era do Brilho, época em que as mulheres auto afirmaram-se frente à
sociedade machista e utilizaram-se de figurinos sexy e luxuosos para demonstrar
também a sua importância e seu esplendor para todos que as discriminavam.
A música com os arranjos feitos
por instrumentos de cordas e sopro deram um suporte para uma empostação de voz
feminina de forma que elas começaram a ganhar liberdade para interpretar as músicas
ao seu modo. A beleza que a música Disco ganhava com a participação feminina
favorecia a queda de antigos preconceitos da sociedade contra elas. Isso quando
as letras para vocalistas femininas, antes caracterizadas pelas incertezas,
melancolia de espírito, indecisão traziam na época mulheres inteligentes,
controladoras do seu próprio destino e decididas. Música como "Queen of
Disco", de Ruby Andrews; "Catch Me on the Rebound" de Loleatta
Holloway’s e "I Will Survive" de Gloria Gaynor, são exemplos de músicas
em que as chamadas divas da Disco interpretavam mulheres absolutamente
independentes.
Além das mulheres, outros
grupos que antes foram discriminados começavam a ganhar mais liberdade. A Disco
Music revolucionou a maneira das pessoas se socializarem levando-as ao fantástico
mundo da discoteca onde pela primeira vez na história pessoas de todas idades,
diferentes origens étnicas e orientações sexuais podiam olhar para frente e
serem atendidos com dignidade. Existiam algumas discotecas mais sofisticadas que
não eram espaços tão abertos assim, eram locais que escolhiam a dedo as
pessoas que podiam entrar no estabelecimento. Como exemplo temos a Studio 54,
que permitia a entrada somente das pessoas mais bonitas ou famosas.
Entretanto, mesmo nesses lugares
encontrava-se todo tipo de pessoas que mesmo com suas diferenças se respeitavam
e seguiam a ordem de todas as casa noturnas que era a Diversão. O comportamento
da época era totalmente direcionado para o lazer, em que a dança era muitas
vezes acompanhada por bebidas, drogas e sexo à vontade. Um exemplo claro sobre
a forma de pensar e viver a vida da época está retratada no filme "Studio
54" que conta a história da discoteca mais famosa de Nova York, onde a
liberdade era geral; as bebidas se misturavam com drogas que eram vendidas e
consumidas no local e o sexo era explícito em espaços específicos da
boate. "Boogie Nights" também é outro filme que retrata bem os
ideais que os jovens tinham na época. Entre inúmeros outros filmes que
tematizaram a época e que valem a pena ser assistidos por todos que curtem a
Disco Music, estão: "Saturday Night Fever", "Grease" e
"Thanks God It’s Friday".
Modas do Momento
As roupas foram uma grande marca
da Disco Music, as cores espalhafatosas, os brilhos dos lamês e strass (
tecidos das roupas ) mostravam que a época era mesmo da noite.
Como em qualquer movimento
cultural , o vestuário trazia um simbolismo, uma mensagem. Com a disco, durante
a Era do Brilho, as roupas e maquiagens glamourosas expressavam a alegria, a
energia do espírito e a busca pela diversão. O cetim e a seda utilizados
evocavam o glamour dos anos 20 que complementados pela moda cor traziam
esplendor e cintilância para quem as usasse. O jeito sexy de se vestir foi
totalmente incorporado ao figurino feminino, os tops USA, vestidos frente única,
calças boca de sino, coladas e transparentes foram um escândalo que abriram
espaço para que as mulheres hoje tivessem mais liberdade para escolher o que vão
vestir.
A moda disco foi inspiradora para
motivar os jovens a vestir suas roupas e querer tornar-se reis e rainhas
da pista de dança. Para isso, além de roupas luxuosas precisariam também
saber dançar a Disco Music muito bem. A moda disco foi tão forte que até nas
próprias discotecas haviam cabines de trocas para as pessoas pegarem suas
"roupas de dança" e seguirem direto para agitar nas pistas. Foram inúmeras
peças que surgiram na época, sapatos plataforma, meias lurex, lantejoulas,
purpurina, shorts entre outras. Tentarei mostrar um pouco como foi com algumas
fotos.
Integrantes
No
mundo No Brasil
A Disco
Music veio à tona nos anos 70 com o sucesso, principalmente, de grupos como
ABBA, Village People, Bee Gees: O ABBA, grupo sueco formado por dois casais (
Anni /Benny com Bjorn/Anna ), foi formado em 1973. No ano seguinte já
emplacavam o hit "Waterloo" nas paradas ianques. Os dois albúns
seguintes trouxeram sucessos como "Mamma mia" e "Dancing
Queen". O grupo continuou bem até 1981, quando os casais separaram-se.
"Thank you for the music" seria o seu albúm derradeiro, em 1983.
Os reis do disco, os irmãos
Barry, Maurice e Robin Gibb, os Bee Gees: o grupo nasceu em meados dos anos 60.
No começo, o único sucesso foi a balada "Words". Só em 75 chegariam
ao estrelato com "Jive Talkin". Em 77, com a trilha sonora do filme
"Embalos de Sábado à Noite", os Bee Gees ficaram conhecidos
mundialmente, vendendo milhões de cópias. Ainda viriam sucessos como "You
should be dancing", "Night Fever", "More than a woman",
a emocionante "How Deep is Your Love" e "Staying Alive",
imortalizada nos passos de John Travolta. Os anos 80 não foram tão bons para
os Bee Gees. Em 96 tiveram ( mais uma de tantas vezes ) regravada "How Deep
is your love", pelo Take That . Nesse embalo, num sábado à noite,
ensaiaram uma volta à cena por volta de 97.
Em 1977, surge o Village People.
O conjunto, grande representante da cultura gay, era formado por 6 rapazes que
caracterizavam-se de tipos como: policial, soldado, cowboy, motoqueiro... Logo
de saída emplacaram "Macho man" e "Y.M.C.A". Em 79 lançaram
o hit "In the Navy", e, no final deste ano "Ready for the
80’s" ( que no ano de 1980 não entrou nas paradas ). O Village People
estrelou o filme "Can’t Stop The Music" e depois disso
"sumiram" nos anos 80 depois um entra e sai de integrantes. Em 93
tiveram a música "Go West" regravada pelo Pet Shop Boys - um ano
depois a versão original foi colocada na trilha sonora do filme
"Priscilla, a rainha do deserto".
Outros integrantes do movimento
disco não podem deixar de ser citados: Donna Summer, Jackson Five, Gloria
Gaynor, Blondie, Kool & the Gang, Vicki Sue Robinson, Sister Sledge, Earth,
Wind and Fire, The Tramps, Diana Ross, Chic...
Volta
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Aqui
no Brasil :
Lady Zu em 77, com "A hora
do leão", incendiou as pistas de dança. Mas seu grande sucesso viria um
ano depois no albúm "A Noite vai Chegar" no hit de mesmo nome e com
"Lady é meu nome".
Junto com Lady Zu, em 77, surgiam
As Frenéticas, grupo formado por 6 mulheres, cantando "Perigosa" de
Rita Lee ( "eu sei que eu sou bonita e gostosa..."). Mas a fama
chegaria mesmo com "Dancin’Days" , tema da novela de mesmo nome da
Rede Globo. As Frenéticas se separariam em 83, voltando em 92 com a música
"Perua", para outra novela da Globo.
Em 78, uma garota de 18 anos,
Maria Odete, a "Gretchen", lança seu single "Dance with
me". Com a fama, como símbolo sexual, Gretchen lançaria, em programas
como o do Chacrinha, os hits "Freak le boom boom", "me gusta el
cha cha cha", "Conga la conga" e "Piripiripiri".
A Disco Music dos anos 70 foi se
transformando e teve algumas crias. O techno é a mais famosa destas vertentes.
Sobre o significado do nome "techno" diz-se que foi usado em épocas
diferentes para dar nome a diversos gêneros musicais. Os criadores desse nome
com certeza são os integrantes do grupo KRAFTWERK, que no começo dos anos 70
criaram a "música sintética".
Techno, identificava todas as música
que eram feitas exclusivamente por computador, e assim sem fazer uso de
instrumentos musicais tradicionais. Assim é certo dizer que techno são essas músicas
que não só usam os computadores, mas sim aproveitam seu imenso espectro de
sons artificiais.
Nos anos 80 existiram inúmeros
movimentos musicais na Europa, que hoje são chamados de Industrial, Electro,
Synthipop ou Electronic Body Music, mas que, na época, chamavam-se techno. Uma
prova disso, é o "Techno-Club Frankfurt", fundado em 1984, que há
mais de 15 anos é um lugar de culto do movimento techno.
Na segunda metade dos anos 80,
surgiu uma variação dance, em Detroit, que também se chamava techno. Ela
seguia os tipos de sons sugeridas pelo Kraftwerk, junto com os ritmos da música
"House" de Chicago. "Acid House" é a nova moda em 1987/88
nos EUA, e um ano mais tarde na Inglaterra, onde nos primeiros dias foram
celebrados as primeiras RAVE. Isso tudo aconteceu, pela evolução de novos
instrumentos (Roland 303 e Roland 909). Nessa época na Europa o "New
Beat", uma variação dançante do Electronic Body Music, tocava nas
boates. Em 90 começou a acontecer uma fusão entre o "House
Groove"americano e o "Techno"europeu. Esse novo estilo, o
"Techno House" foi a direção musical dos jovens dos anos 90.
Novas Modas
As boates, as pistas de dança
hoje não sobrevivem apenas da Disco Music .As faladas raves, festas de noites e
dias inteiros, ao ar livre, são embaladas pela música techno ( feita somente
com instrumentos eletrônicos, computadores... ). Todos "tomados pelo
som", em trance - expressão usada para denominar a síncope, o transe hipnótico
reinante. Hoje, o movimento clubber é a voz que fala mais alto nas pistas de
dança. A inocência dos embalos de sábado à noite foi trocada por drogas,
promiscuidade e transgressão. O visual clubber é colorido, diz não seguir
moda alguma; piercings, tatuagens, cabelos rastafari ou punk são muito
usados...
Disco Bands
Atualmente, muitos artistas têm
feito releituras de sucessos da Disco Music, além de a ela mixarem o seu
estilo. Internacionalmente, Michael Jackson, Blondie, Rod Stewart e Cher são
exemplos disso. Cher, inclusive, lançou em 98 o albúm "Believe" com
o hit "Life After Love".
Falando em Brasil, Lulu Santos,
desde 94, vem flertando com a disco music. Com hits como "Assim caminha a
Humanidade", Lulu não fez feio nas pistas de dança. Em 96 regravou
"Dancin’ Days" das Frenéticas.
Não podíamos deixar de falar
também em Edson Cordeiro. O cantor paulista lançou em 1997, no seu CD
"Clubbing", uma versão dance para "Ave Maria". No embalo da
polêmica causada, no ano seguinte Edson, no CD "Disco clubbing ao
vivo", recria sucessos disco dos anos 70. "It’s raining men" e
"You make me feel" foram, junto com a recente "Barbie Girl"
do grupo Aqua, os pontos fortes do CD.
Em 1999, Edson Cordeiro lança
"Disco Clubbing 2- Mestre de Cerimônia". Mais uma vez ele passeia
pela disco, num cd melhor acabado, feito em estúdio, trazendo além de hits
como "Hot Stuff", "Stayin'alive", as baladas "The
closer I get to you" de Roberta Flack e "Music and me" dos
Jackson 5, além de um medley com sucessos de Gretchen.
Anos 70
Foi a última década do período classic rock. É também conhecida como a "década da discoteca", devido ao surgimento da dance music. Surge também o movimento punk.
A incorporação de instrumentos de música erudita no rock já havia se iniciado dos anos 60, mas só ganhou ares de movimento (também derivado da psicodelia sessentista) no início dos anos 70, no que é conhecido como rock progressivo.
Artistas tão diversos se reuniram na proposta, sendo os de grande destaque Pink Floyd, Genesis, Yes, Jethro Tull, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Mike Oldfield, Van Der Graaf Generator, Gentle Giant, no terreno britânico. Também caíram no gosto bandas germânicas (Can, Faust, Neu!, Tangerine Dream, Amon Düül e Kraftwerk) e italianas (Le Orme, Formula Tre e Premiata Forneria Marconi). Canadá (Rush), Bélgica (Univers Zéro) e Holanda (Focus) também dão sua contribuição.
No Brasil, destaque para os trabalhos de O Terço, O Som Nosso de Cada Dia, A Barca do Sol, Rita Lee & Tutti Frutti, Rita Lee & Tutti Frutti, Casa das Máquinas e Sagrado Coração da Terra.
O disco que mais se destaca é The Dark Side of the Moon, de Pink Floyd. A banda baiana Doces bárbaros, idealizada por Maria Bethania, Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso. Surge o glam rock, onde o chique e o glamour faziam parte do visual. David Bowie, com o seminal disco The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars é o maior expoente. Outros ícones do estilo são Marc Bolan e seu grupo T.Rex, Mott the Hoople e até Elton John aderiu.
A aceleração e distorção do blues, dando origem ao hard rock, também havia se iniciado ainda nos anos 60, mas foi na década de 70 que ela surgiu com toda a força. Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple eram as bandas que lideravam o estilo. Outros destaques são Kiss e Aerosmith. No sul dos EUA, o hard rock ganha uma sonoridade característica, conhecida como southern rock, onde os grupos Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd são os mais bem lembrados. Na relação rock e blues, os Rolling Stones têm a sua fase mais criativa no início da década. A música voltava a ser popular e tudo acabava nas pistas de dança.
A disco music (ou dance music) resgatou o desejo pela dança através do "clássico" Os Embalos de Sábado à Noite, estrelado por ninguém menos que o (então) iniciante John Travolta. Quando o ator vestiu seu famoso terno branco e jogou o braço para o alto, a discothéque estava vivendo um período de iminente decadência, mas voltou a ser moda com todo o pique e reavivou o espírito de festa que faz parte do gênero dance music. Símbolo incontestável da disco music, o ator se tornou o deus das discotecas e das mulheres da época, além de exemplo para os homens, e o filme lançou um novo verbo conjugado internacionalmente: travoltear.
Travolta ganhou imitadores nos quatro cantos do mundo. Era a febre das discotecas (a famosa disco fever que deu nome a uma infinidade de canções) que assolava o mundo. Este fenômeno trouxe um novo balanço para a música pop, assim como gênios da música eletrônica, cujo maior expoente da época foi Giorgio Moroder (responsável pela descoberta da 'rainha das discotecas', Donna Summer). E a discoteca virou um dos símbolos supremos do período, o templo onde se cultivou o narcisimo mais delirante, onde o corpo ganhou suas maiores homenagens.
Ainda que não tenham especificamente determinado, foram as discotecas que estimularam a onda esportiva que assolou o planeta nos últimos três anos de década. As discotecas e, naturalmente, a permissividade sexual quase absoluta dos grandes centros. Todos, e não mais apenas as mulheres, se sentiram no direito e na obrigação de serem mais eróticos, mais satisfatórios visual e tatilmente. Daí a febre do jogging, expressão americana que começou a tomar o lugar do cooper a partir do final da década. Mais engajado que a disco music, o punk rock, derivado da cena de Nova York blank generation (que reúne artistas tão diversos como Patti Smith, Television, New York Dolls e vários outros) investia contra o sistema.
A Inglaterra enfrentava uma de suas maiores crises. A recessão corria solta e o punk pregava a anarquia através dos grupos Sex Pistols e The Clash, que dividiam o trono do movimento com os nova-iorquinos dos The Ramones. O rock voltava à sua forma primitiva, emergente das garagens e dos porões dos submundos inglês e americano. Como se fosse um hiato entre a dance e o punk rock, surgiu a new wave.
Contrária ao punk, a nova onda celebrava o brilho do início da década. Algumas vezes a new wave chegou até a flertar com a dance music através do Blondie, com Deborah Harry em seu hit 'disco' Heart Of Glass. A new wave foi perdendo seu ímpeto rapidamente; os famosos Sex Pistols se dissolveram, entre outros. Mesmo assim o punk sobreviveu até o final da década.
Na música pop, a importância das palavras foi substituída pelo ritmo. Importava o balanço e a quantidade de decibéis, coisa que propiciou a aparição de dezenas de grupos e estrelas de sucesso fulminante e rápido desaparecimento.
O efêmero e o descartável foram campeões em todas as paradas de sucesso. Modas e manias foram atiradas em ondas sucessivas a todos os cantos do planeta. Pela televisão, naturalmente. Porque outro rótulo perfeitamente aplicável a este período é o de "Década da TV". Foi através do vídeo que o mundo se tornou infinitamente menos secreto. Richard Nixon, o presidente americano deposto pelo caso Watergate, foi uma "personalidade" típica das telas de TV dos anos 70. Sua saída do governo foi festejada pela população dos EUA e o resto do mundo acompanhou todo o escândalo "de perto", através da tela da TV.
Do último passo de dança no Studio 54 às crianças cambojanas morrendo de fome, todas as emoções foram adaptadas ao mesmo nível da tela pequena. Outros esportes, sem falar da dança, viveram sua explosão. E entre todas as novidades, a mais surpreendente e emocionante foi a asa delta, de fulminante êxito.
A discoteca, o esporte: atalhos para a celebridade efêmera prevista pelo artista pop Andy Warhol ("No futuro, todos serão famosos durante 15 minutos", ele disse). E falando em fama, o automóvel ampliou as fronteiras do homem e transformou-se em sonho.
Nos anos 70, regido pelas exigências de mercado, pela legislação de vários países, chegou a pesar mais de duas toneladas. No fim da década, para enfrentar a carência de petróleo, voltou a diminuir de tamanho e de peso. Mas ainda hoje é possível ver um daqueles "banheirões" andando perdido pelas ruas.
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